80% das empresas usam IA. Quase nenhuma sabe quanto ela rende

Estudo da TOTVS com o MIT SMR Brasil mostra que 88% das empresas não medem o retorno da IA. Veja como calcular o seu em uma página.

4 min de leitura

Gustavo Bastos, vice-presidente de Plataformas e TI da TOTVS, durante o Universo Totvs 2026

Gustavo Bastos, vice-presidente de Plataformas e TI da TOTVS durante o Universo Totvs 2026 (Imagem: Divulgação)

Oito em cada dez empresas brasileiras já usam inteligência artificial. Mas 88% não medem o retorno da IA e 86% nem sabem quanto gastam com ela. Os números são do estudo Da adoção à escala, feito pela TOTVS com o MIT Sloan Management Review Brasil e apresentado em 13 de outubro, segundo o E-Commerce Brasil. Se você precisa defender um projeto de IA, essa lacuna é o seu problema, e também a sua oportunidade.

IA no CPF, não no CNPJ

O estudo ouviu 583 participantes de empresas de portes e setores diferentes. O retrato: 93% usam IA de forma desestruturada, sem impacto na estratégia. Em 40%, as iniciativas acontecem sem coordenação entre áreas. Só 8% integram a IA de forma ampla ao sistema de gestão, e só 14% têm uma política formal de governança.

Gustavo Bastos, vice-presidente de Plataformas e TI da TOTVS, resumiu com uma imagem boa: hoje a maioria usa “IA no CPF”. É a pessoa resumindo um estudo ou escrevendo um texto, mesmo que a licença seja paga pela empresa. O resultado só aparece quando a IA vai para o CNPJ, ou seja, entra nos processos que movem o negócio.

Tem também o lado das pessoas. 43% dos funcionários temem errar por confiar demais na IA, 37% dizem não saber usar as ferramentas direito e só 7% das empresas oferecem capacitação estruturada para todo mundo.

O que muda para você

Projeto sem número não sobrevive ao primeiro corte de orçamento. Quando o diretor financeiro perguntar quanto a IA trouxe, “o time está mais produtivo” não é resposta. Quem chega com custo, ganho e prazo de retorno ganha a conversa, e o próximo projeto.

Medir não exige ferramenta sofisticada. Exige uma decisão tomada antes de começar: qual número vai provar que funcionou. Sem a linha de base, o “antes”, nenhum cálculo depois se sustenta. Para quem é de produto, é o mesmo raciocínio de qualquer feature: hipótese, métrica, resultado.

Na prática: o retorno da IA em uma página

  1. Escolha um processo, não “a IA”. Por exemplo: o relatório semanal do time comercial.
  2. Meça o antes por duas semanas: horas gastas, retrabalho, erros.
  3. Some o custo total: licenças, uso de API, implantação e, principalmente, as horas de revisão humana.
  4. Meça o depois por quatro semanas, com a mesma régua.
  5. Faça a conta: ganho mensal menos custo mensal, dividido pelo custo mensal.

Um exemplo com números redondos. Cinco analistas gastam 10 horas por semana no relatório. Com IA, passam a gastar 4. São 6 horas por pessoa por semana, ou 120 horas no mês. A R$ 80 por hora, o ganho é de R$ 9.600. O custo: R$ 750 em licenças e 20 horas de revisão, que valem R$ 1.600. Total, R$ 2.350. Retorno: cerca de R$ 3 líquidos para cada R$ 1 investido.

Para montar a sua versão, este prompt ajuda:

“Quero medir o retorno de usar IA no processo [descreva]. Me ajude a definir: a métrica principal, como medir o antes, todos os custos que eu posso estar esquecendo e uma planilha simples para comparar antes e depois. Faça perguntas antes de responder se faltar informação.”

O último pedido do prompt importa. Deixe a IA perguntar: os custos esquecidos costumam aparecer aí.

Fontes


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