Outubro é o mês da dislexia. Escreva para todos os cérebros

Outubro é o mês de conscientização sobre a dislexia. Veja regras simples de escrita acessível para documentos e e-mails de trabalho, e como a IA ajuda a adaptar textos.

3 min de leitura

Pessoa lendo um livro aberto

Foto de Blaz Photo na Unsplash

Outubro é o mês de conscientização sobre a dislexia, lembrado também pelo Ministério da Saúde. Estimativas citadas pelo Instituto ABCD indicam que cerca de 8% dos brasileiros têm dislexia, segundo o Viva. No trabalho, isso costuma aparecer como a sensação de se esforçar muito e render pouco diante de documentos longos e densos. A boa notícia: boa parte da solução está em como a gente escreve.

O texto pode ser a barreira

Dislexia é uma diferença na forma de processar a linguagem escrita, não tem nada a ver com inteligência. Muitos adultos só descobrem tarde, depois de anos ouvindo que eram desatentos. E o ambiente de trabalho, cheio de specs, atas, políticas e e-mails enormes, pode transformar essa diferença em obstáculo diário.

A British Dyslexia Association, referência internacional no tema, mantém um guia de estilo com regras práticas para textos mais acessíveis. Quase todas custam zero e ajudam qualquer leitor, não só quem tem dislexia.

Ilustração de um documento denso, cheio de linhas de texto, transformado em um documento claro sobre fundo creme, com título, frases curtas, lista com marcadores e um destaque

O que muda para você

Se você é de produto, escreve o tempo todo: histórias de usuário, documentos de requisitos, comunicados. Cada texto confuso é uma barreira para alguém do time, e uma chance de erro na entrega. Escrever de forma acessível não é caridade, é clareza. E clareza é competência profissional.

É o mesmo princípio que seguimos aqui no CarreiraNews: parágrafos curtos, intertítulos frequentes, listas no lugar de blocos de texto. O que é essencial para alguns facilita a vida de todos.

Na prática: regras de escrita acessível

  • Frases curtas e voz ativa. “O time aprovou” em vez de “foi aprovado pelo time”.
  • Listas no lugar de parágrafos longos, sempre que possível.
  • Títulos claros e espaço entre as seções.
  • Negrito para destacar. Evite itálico, sublinhado e frases inteiras em maiúsculas.
  • Fonte sem serifa, de 12 a 14 pontos, com espaçamento de 1,5 e texto alinhado à esquerda, sem justificar.
  • Siglas por extenso na primeira vez que aparecem.
  • Um fluxograma ou imagem para explicar procedimentos.

A IA ajuda a adaptar textos que já existem. Use este prompt antes de enviar um documento importante:

“Reescreva este texto para que seja fácil de ler por qualquer pessoa, inclusive quem tem dislexia: frases curtas, voz ativa, listas no lugar de parágrafos longos, siglas por extenso e títulos claros. Não remova nenhuma informação. No fim, liste o que mudou. Texto: [cole aqui].”

Confira a versão final com cuidado: a IA pode simplificar demais e perder um detalhe importante. E, se alguém do time pedir outro formato, como áudio ou resumo, pergunte o que funciona melhor para a pessoa.

Fontes


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