Deepfake no 2º turno: como checar antes de compartilhar

Quase um conteúdo eleitoral com IA por hora circulou antes do 1º turno, e a maioria sem aviso. Veja o que diz a regra do TSE e como checar um deepfake antes de compartilhar.

4 min de leitura

Rosto de mulher gerado por inteligência artificial, com uma malha de pontos de reconhecimento facial sobreposta, sobre fundo azul

Imagens sintéticas produzidas pela IA proliferam no ambiente das redes sociais/Divulgação

Entre 16 de agosto e 28 de setembro, o projeto VigIA, do Observatório Lupa, analisou 972 conteúdos eleitorais suspeitos. Desses, 920 usavam inteligência artificial, quase um por hora, e 554 eram deepfakes: vídeos ou imagens criados ou adulterados por IA, segundo o Diário do Grande ABC. Seis em cada dez casos confirmados não tinham nenhum aviso de uso de IA. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, vale saber o que diz a regra e como checar antes de apertar “encaminhar”.

O retrato do primeiro turno

Os conteúdos com IA vieram de todos os lados. Segundo o levantamento, 47% foram publicados por usuários, eleitores ou militantes, 27% por contas anônimas e 25% por perfis oficiais de candidatos. Quase metade (45%) promovia candidaturas, 28% tinham tom satírico e 25% eram ataques.

Outro monitoramento, o Observatório IA nas Eleições, da Data Privacy Brasil e do Aláfia Lab, mapeou 413 conteúdos políticos com IA. Quase dois terços não sinalizavam o uso da tecnologia, segundo o Misto Brasil.

O que diz a regra do TSE

As regras aprovadas pelo TSE em março determinam que conteúdo sintético na propaganda eleitoral precisa ser rotulado. Nas 72 horas antes e nas 24 horas depois da votação, fica proibido circular conteúdo sintético novo que altere imagem, voz ou manifestação de candidatos, mesmo com rótulo. Sistemas de IA não podem recomendar candidatos, mesmo que o usuário peça. E as plataformas respondem junto se não retirarem do ar conteúdo sem a rotulagem exigida.

Em setembro, o tribunal também fixou o que entende por deepfake: conteúdo criado ou alterado por IA, com realismo, que reproduz imagem, voz ou manifestação de uma pessoa. E decidiu que a proibição vale quando o conteúdo se caracteriza como propaganda eleitoral, segundo o TSE.

O que muda para você

Quase metade dos conteúdos veio de gente comum, não de campanhas. Ou seja: quem compartilha é parte do caminho. E a regra mais importante não está na resolução, está no seu polegar: na dúvida, não encaminhe.

Um aviso honesto: detectar deepfake a olho nu está cada vez mais difícil. Os sinais visuais ajudam, mas falham. O que funciona melhor é o hábito de checar a origem, o mesmo raciocínio crítico que a gente defende para qualquer resposta de IA.

Na prática: checklist antes de compartilhar

  1. Desconfie da emoção forte. Raiva ou euforia imediata são o combustível da desinformação.
  2. Procure o aviso de IA. Conteúdo sintético de campanha tem que vir rotulado.
  3. Ache a fonte original. O vídeo está no perfil oficial da pessoa ou em algum veículo de imprensa?
  4. Repare nos detalhes. Boca fora de sincronia, voz metálica, mãos e luz estranhas. Ajuda, mas não é prova.
  5. Consulte quem checa. Agências como Lupa, Aos Fatos e Comprova costumam verificar os casos mais virais.
  6. Na dúvida, não encaminhe. E use o botão de denúncia da própria plataforma.

A IA pode ajudar a organizar a checagem, mas não deve ser o juiz. Use este prompt para saber o que verificar, não para pedir um veredito:

“Recebi este conteúdo [descreva o vídeo ou cole o texto]. Não me diga se é verdadeiro ou falso. Liste o que eu preciso verificar, onde procurar a fonte original e quais sinais indicariam manipulação.”

Fontes


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