IA nas empresas: metade já usa, só 15% vão além do básico

A adoção de IA nas empresas brasileiras chegou a 50%. Mas a maioria ainda está no básico — e é nessa lacuna que mora a sua oportunidade.

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Cleber Morais, diretor-geral da AWS no Brasil

Cleber Morais, diretor-geral da AWS no Brasil. Foto: divulgação.

A adoção de IA nas empresas brasileiras virou maioria — ou quase. Metade das empresas do país já usa inteligência artificial, contra 40% no ano anterior, segundo o estudo Desbloqueando o Potencial da IA no Brasil 2026, encomendado pela AWS e apresentado no AWS Summit São Paulo (Canaltech). O dado que mais importa, porém, é outro: só 15% chegaram ao estágio avançado.

Para Cleber Morais, diretor-geral da AWS no Brasil, o foco agora muda de “quem está usando” para “como alcançar seu potencial máximo”. Traduzindo: a corrida deixou de ser pela adoção e passou a ser pelo resultado.

Adotar não é o mesmo que dominar

O estudo divide as empresas em três estágios. No básico estão 58%: usam IA para ganhos pontuais de eficiência — resumir um texto, gerar um rascunho, responder um e-mail mais rápido. No intermediário estão 27%, com IA integrada a produtos e serviços. E no avançado, 15%: sistemas sob medida, combinação de modelos e agentes que executam tarefas de ponta a ponta.

Dois outros números completam a história. Só cerca de um terço das empresas se diz confiante para medir o retorno do investimento em IA. E apenas 21% se sentem preparadas para a IA agêntica — aquela em que o sistema recebe um objetivo e executa várias etapas sozinho.

Ou seja: ferramenta não falta. Segundo o Baguete, 72% dos entrevistados concordam que as ferramentas de IA estão disponíveis. O gargalo é saber usar — tanto que 48% apontam a falta de habilidades digitais e de IA como uma grande barreira.

O que muda para você

Se a sua empresa está entre os 58% do estágio básico — e as chances são altas —, isso não é um problema. É uma oportunidade de carreira.

A distância entre “a gente usa IA” e “a gente sabe extrair valor da IA” não se fecha com uma ferramenta nova. Ela se fecha com gente que sabe escolher o problema certo, desenhar o processo, medir o resultado e explicar para a liderança por que vale a pena. Isso é raciocínio, não clique.

Repare que os dois maiores gargalos do estudo — medir retorno e preparar a empresa para agentes — são problemas de produto e de processo, não de tecnologia. Quem sabe formular um problema, definir uma métrica e acompanhar um resultado passa a ser exatamente o perfil que falta.

A pergunta deixou de ser “você usa IA?”. Agora é “o que melhorou porque você usa IA — e como você prova?”.

Na prática

Faça um diagnóstico rápido da sua área em 20 minutos:

  1. Liste onde a IA já é usada hoje no seu time, mesmo que informalmente.
  2. Classifique cada uso: básico (tarefa pontual), intermediário (parte de um processo ou produto) ou avançado (fluxo automatizado com agentes).
  3. Escolha um uso básico e escreva qual métrica ele poderia mover: tempo, custo, qualidade ou receita.
  4. Leve essa proposta, com a métrica, para a sua próxima conversa com a liderança.

Para acelerar o passo 3, use este prompt na IA de sua preferência:

“Atue como gerente de produto. Esta é uma tarefa que meu time faz com IA hoje: [descreva]. Sugira três métricas para medir o impacto dela, como coletar cada uma em até duas semanas e qual resultado justificaria investir mais.”

Você sai da reunião como a pessoa que mede o resultado, não só como a que usa a ferramenta.

Fontes


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